Menstruação


De onde vem, para onde vai
Você menstrua porque seu organismo estava preparado para gerar um bebê. Os hormônios femininos estrogênio e progesterona ajeitam o útero para receber o óvulo fecundado. Quando a fecundação, a mucosa que envolve o útero começa a descamar. Os vasinhos se rompem e o fluxo sai em forma de menstruação

Muda tudo
Junto com a menstruação aparecem alguns sinais de alerta. Tudo por causa dos hormônios sexuais que entram em ação e trabalham feito loucos. Como a quantidade de hormônios varia, é comum aparecerem espinhas, o corpo inchar, os seios aumentarem e ficarem doloridos (por causa de retenção de líquidos).

Xô, tristeza
Por causa da revolução hormonal que ocorre durante a menstruação, é normal ficar mais sensível. Especialistas acreditam que essa mudança de humor varia porque depende de como foi sua vida nesse período. Por isso, tente encarar os problemas com bom humor.

Respeito é bom
Cada menina enfrenta a menstruação de um jeito. Algumas podem se sentir desanimadas, sem pique pra nada e com muita cólica; outras nem sentem que estão menstruadas. Se você é uma das que sofrem muito, é bom não se exigir demais: respeitar as variações do seu corpo é uma prova de que você se gosta. Relaxe e descanse porque a vida não acaba amanhã.

Dando uma regulada
Depois da primeira menstruação, pode se preparar para atrasos, adiantos e até meses que ela não dá nem sinal de vida. Isso é comum na adolescência, quando os hormônios ainda estão imaturos.

Sangue quente
A menstruação faz muito bem para o organismo: deixa as células nutridas, previne doenças no coração, nos ossos e há pesquisas dizendo ela também protege o útero dos microorganismos levados pelos espermatozóides.

De olho nos números
A menstruação costuma vir entre 9 e 16 anos;
Ela dura em média de três a sete dias;
A média de fluxo que sai durante a menstruação é de 80 a 100 milímetros;
O tempo de vida de um óvulo é de 48 horas;
A quantidade normal de intervalo entre uma menstruação e outra é de 22 a 35 dias.


Menstruar ou não Eis a questão

No inicio dos anos 80, a voz de Rita Lee entoava "mulher é bicho esquisito, todo mês sangra", no sucesso Cor-de-Rosa Choque, quase duas décadas depois, entretanto, algumas integrantes do sexo feminino resolveram mudar esse estado das coisas, optando por não menstruarem mais. Entre elas, está a jornalista Marília Gabriela, uma das personalidades mais identificadas com a música da roqueira paulistana.
À frente dos médicos que acham que menstruar consiste em uma das novas escolhas da mulher moderna está o baiano Elsimar Coutinho, de 69 anos, professor do Departamento de Reprodução Humana da Universidade Federal da Bahia. Coutinho, autor do livro Menstruação, Sangria Inútil, não se incomoda com a polêmica causada pelo assunto.
"Defendo isso há 40 anos , quando descobri que as mulheres que não menstruam tinham melhor saúde que as outras", diz.
Para ele, a idéia não é nova. "Desde os anos 60, já propunha às mulheres que tomassem uma injeção de Depo Provera como anti-concepcional e inibidor da menstruação por 6 meses", lembra o médico. Segundo ele, não menstruar só traz benefícios. "Evita-se a anemia, que é predominantemente feminina e a Tensão Pré-Menstrual", explica.
A endometriose, doença causada pelo refluxo do sangue com restos do endométrio - tecido que recobre a mucosa do útero - espalhado para outros órgãos como intestinos e ovários, inclui-se entre os males que podem ser prevenidos com a suspensão do ciclo.
Os médicos que não concordam com as idéias de Coutinho evocam a sabedoria da natureza e são categóricos. "Não tem sentido suspender a menstruação quando o ciclo é normal", critica o professor titular de Ginecologia da Universidade de São Paulo (USP), José Aristodemo Pinotti.
O Ginecologista Malcolm MontGomery alega que a grande maioria das mulheres sofre com as cólicas e a Tensão Pré-Menstrual (TPM), que vão de graus leves a mais pesados. "Quem não quiser menstruar por opção, pode fazer isso sem nenhum problema", diz MontGomery. Ele acrescenta ainda que a menstruação é um fenômeno social moderno. Segundo ele, no século passado, as mulheres ficavam até 90 meses sem menstruar.
Coutinho lembra a seus opositores que não é contra a menstruação "Sou a favor da mulher ter opções".



O fim da menstruação

Quem não se lembra daquele antigo comercial de TV em que a atriz apresentava a última novidade em absorventes e encerrava com a frase "Incomodada ficava a sua avó"? Na época, o novo material e cobertura era tudo o que a mulher dispunha de mais moderno para tentar contornar aqueles dias de sangramento ininterrupto.
Agora, muitas mulheres recorreram ao implante subcutâneo para impedir a menstruação e, a Tensão Pré-Menstrual (TPM). "Fiz o implante e fiquei um ano e meio sem menstruar, um período bárbaro", lembra a jornalista Marilia Gabriela. "Sofria horrores com a Tensão Pré-Menstrual. Já fiz muita besteira na vida por causa disso", completa. Ela retirou o implante para engravidar de seu segundo filho e depois, o colocou novamente.
A modelo e atriz Ana Paula Arósio, que chegou a ter a carreira afetada por causa de problemas com o ciclo, também aderiu ao tratamento. Todos os meses, Ana Paula chegava a ficar vários dias fora do mercado de trabalho por conta da menstruação.
Se para muitas dessas mulheres a idéia de suspender a menstruação por tempo indefinido é um grande achado, no meio médico o tratamento encontra mais oposição do que concordância. O professor Titular de Ginecologia da Universidade de São Paulo (USP) José Aristodemo Pinotti é um deles.
Para ele, problemas vinculados ao ciclo menstrual devem ser tratados individualmente. "Se a mulher tiver TPM, a gente trata disso", diz. Segundo Pinotti, a suspensão da menstruação pressupõe o tratamento prolongado com hormônios. O maior problema, no caso, é que não se sabe o efeito a longo prazo dessas substâncias no organismos.
Ângela Maggio da Fonseca, também professora de Ginecologia da USP, acredita que a suspensão só deve ser feita em casos especiais. Segundo ela, a menstruação é um referencial da saúde da mulher. É através dela que os profissionais reconhecem muitos problemas físicos ou mesmo psicológicos.
Segundo a médica Mara Solange Carvalho Diegoli, do Hospital das Clínicas, não existe no mercado nenhum medicamento que consiga inibir a menstruação sem efeitos colaterais. De acordo com a médica, algumas substâncias utilizadas para o tratamento inibem a produção de estrogênio, hormônio fundamental para evitar a osteoporose (desgaste ósseo) e o envelhecimento de alguns tecidos. Algumas mulheres, como a empresária Maria Alice Amoroso Nunes, de 42 anos, no entanto, sofrem com a TPM, mas preferem continuar no processo natural."Acho isso importante", diz.


Consequências:
O médico Elsimar Coutinho rebate as críticas dizendo que nem sempre há consequências sobre a calcificação quando existe a diminuição de estrogênio em mulheres jovens. "Mas quando ocorre a descalsificação, recomenda-se a reposição de cálcio, que, é importante para as pesoas idosas."
Existem dois tipos diferentes de implantes que podem ser colocados sob a pele com auxilio da anestesia local nos braços ou nas nádegas. O preço do tratamento realizado por coutinho pode variar de R$ 450 a R$780. Ele lembra que a mulher deve contar com acompanhamento médico, durante todo o tratamento.


PRÓS

CONTRAS



Cólica

Papo sério
Quando falamos de dor, de cólica, a gente está se referindo a um desconforto, a uma dor incômoda, mas sportável, que os médicos chamam de dismenorréia primária. Agora, quando a dor é muito forte, que derruba mesmo, a ponto de você ter que ficar em casa deitada e gemendo na cama, passando muito mal mesmo, é bom consultar seu médico. Você pode estar sofrendo de dismenorréia secundária, provocada por uma disfunção orgânica que pode ser um pólido (uma protuberância de tecidos que aparece no colo do útero) ou uma endometriose ( quando o endométrico surge também nas trompas e nos ovários).

Tem remédio
Aliviar a cólica não é tão difícil, às vezes a dor some com um simples analgésico. Mas tem um jeito de a cólica nem aparecer durante a menstruação: tomando um antiinflamatório por três dias antes de ela chegar. Ele inibe a produção das prostaglandinas, causadoras das cólicas. Mais uma vez, é bom lembrar: nada de se automedicar.
O médico é quem tem que controlar o tratamento, a dosagem certa, o tipo de remédio e até ver por quanto tempo você precisa tomar o tal medicamento.

Em pílula
Pílula antiiconcepcional realmente acaba com a cólica. Como ela evita a ovulação, o corpo também para de produzir prostaglandinas, substâncias que provocam as contrações do útero. Só que não dá pra sair tomando sem controle. Seu ginecologista é quem tem de receitar.

Culpa no cartório
Pode começar a xingar. A culpada por você sentir cólica é a prostaglandina. Essa substância, produzida pelo endométrio, é liberada para ajudar o útero a se contrair - por isso você sente dor - e expulsar o sangue menstrual. Mas se é assim, por que algumas meninas não sentem nenhuma dor? Essa é uma resposta que não tem resposta... Os médicos ainda não sabem. Só o que está provado é que o organismo de umas meninas produz mais prostaglandina do que o de outras e, quanto mais, maior a cólica.

Remoendo a dor
Pode parecer bobagem, mas se você já pensa na dor antes da menstruação chegar, é bem provável que doa muito mesmo. O medo e a tensão contraem os músculos, e o útero tem que fazer mais força para colocar a parede do endométrio para fora. O resultado você já sabe: a cólica aumenta. Por isso, pense em coisas boas.


Absorventes

Rai X
Os absorventes são feitos com algodão, sustentados por uma camada de plástico impermeável e recoberto por um tecido chamado NON OWEN (tecido não tecido) que ajuda na absorção da menstruação. Alguns ganharam recheio de tipo gel, que espalha melhor o fluxo dentro do absorvente. Isso é ótimo, porque evita ter que trocar a toda hora.

Múltipla escolha
Já que ninguém menstrua igual, nada melhor do que ter vários tipos de absorvente.

  • Tradicional - O formato é retangular, Tem três camadas de algodão e serve para absorver um fluxo normal.
  • Com abas - Protegem a calcinha contra vazamentos laterais.
  • Anatômicos - Ele é um pouco maior que o tradicional e o formato se ajusta aos contornos do seu corpo. Bom para fazer esporte e para dormir, porque vaza menos.
  • Mini - São os de tamanhos reduzido e costumam ser cinco vezes mais finos que os normais. Dá até para usar como protetor de calcinha.
  • Maxi - Cerca de 20% mais longo. Para quem tem fluxo muito grande.
  • Interno - É um pedaço de puro algodão comprimido e amarrado por um cordão bem forte. Pode ser a salvação num dia de praia e sol.

Por cima
Se você acha que todos os absorventes têm o mesmo tipo de cobertura, aquela cheia de furinhos, quase acertou. Todos eles têm furos, mas o material muda.

  • Non Owen - É a tradicional. O absorvente é revestido com um tecido que parece papel e deixa o
  • fluxo passar para outras camadas.
    Especial - Tem um plástico impermeável com furos em forma de funil, que deixam o fluxo em contato com o corpo.

NRespeito é bom
O recheio de alguns absorventes absorve tão bem o fluxo que a gente nem sente que está menstruada.
  • Gel - transforma o fluxo em flocos de gel, deixando o absorvente bem mais seco.
  • Polpa de celulose - conduz o fluxo para um lugar onde tem gel no absorvente.
  • Células multiabsorventes - Distribuem e retêm melhor o fluxo.

Tira ou não a virgindade
Está provado e comprovado: absorvente interno não rompe o hímem. Mas se você é virgem é melhor usar o de tamanho pequeno, por questão de proporção. Agora se você deve ou não usá-lo vai depender muito da sua cabeça. É legal falar com seu ginecologista, antes de usar, para ele explicar (e ensinar) como pôe, como tira, o tempo certo para ficar.

Na medida certa
Depois de escolher o modelo, é só ver qual espessura você prefere:
  • Grosso - se você tem um fluxo grande. É ideal para dormir.
  • Médio - Para usar no dia-a-dia, principalmente se seu fluxo é normal.
  • Fino - Bom para o primeiro e o último dia, se sua menstruação não é daquelas exageradas.
Parece mentira
Folha de bananeira, sabugo de milho, estopa, jornal e trapos velhos ainda são usados como absorventes por várias mulheres. Muitas porque não tem dinheiro para comprar absorventes industrializados, outras por desinformação ou vergonha mesmo.